quinta-feira, 22 de novembro de 2012

Mediocridade custa vidas


Na tabela abaixo vemos a quantidade de crimes em março de 2011, quando sai da SSP-SP e em outubro de 2012. Mediocridade custa caro e custa vidas, caros governador e ex-secretário. Não fico feliz porque estava certo sobre o desastre que seria a gestão FP; o custo foi elevado para o Estado e para as polícias de São Paulo.

datahomicidiolesõesestuproroubo bancoroubo cargaroubo veiculofurto veiculofurto
março de 201130615537919195026796910145667
outubro de 2012505176471239245777165946648991
variação65.0313.5834.8226.3214.945.434.017.28


Acredito que a elevação dos índices foi um soluço provocado por má gestão mas que as tendências de queda continuarão, se houver uma retomada das políticas de segurança anteriores, abandonadas na última gestão - e que tornaram São Paulo e suas polícias um caso de sucesso na segurança.

Especificamente:
- política de integração das polícias; (formação conjunta, res 248, etc)
- controle da letalidade e reorganização do conselho de letalidade;
- enfase no policiamento comunitário;
- retomada dos Consegs como instrumento de participação da sociedade;
- atualização do Infocrim e investimento nos sistemas inteligentes;
- gestão e alocação de recursos com base em análise georeferenciada, como base na portaria conjunta PM/PC;
- foco na busca e apreensão de armas;
- reorganização do centro integrado de inteligência da SSP;
- esvaziamento dos cárceres dos distritos policias;

Estes foram alguns dos principais alicerces das gestões anteriores que a nova gestão precisa resgatar, pois foram bastante negligenciados nos últimos anos. Sucesso aos novos gestores, para o bem de São Paulo...

quarta-feira, 7 de novembro de 2012

Sou da Paz analisa as estatísticas criminais de São Paulo


Sou da Paz analisa as estatísticas criminais de São Paulo no 3º Trimestre de 2012


Este E-Paz especial traz uma análise dos dados divulgados pela Secretaria da Segurança Pública de São Paulo referentes ao terceiro trimestre de 2012. O documento apresenta comentários sobre os crimes ocorridos neste período na capital e no Estado, além de uma análise dos dados divulgados sobre o trabalho da polícia e a letalidade policial. O documento também apresenta algumas recomendações para a política de segurança pública no Estado.
 
Para acessar a versão em PDF, clique aqui

segunda-feira, 22 de outubro de 2012

Queda dos roubos no RJ: a diferença que a boa gestão faz

Os jornais apontaram hoje, com a divulgação dos dados criminais do Rio de Janeiro de setembro, que o estado atingiu as menores taxas de homicídio desde 1991.

É interessante notar também que as taxas de roubo outros no RJ estão em declínio desde 2009, quando atingiu seu pico após a crise econômica (cerca de 800:100 mil). Em setembro, a taxa carioca ficou em torno de 547:100 mil e, pela primeira vez na série histórica recente, ficou mais baixa que a de São Paulo.

Enquanto a taxa média de São Paulo ficou estacionada em torno dos 600:100, a taxa média do RJ caiu 24% entre 2009 e 2012.


Como a imprensa vê os crimes


Nos anos 90, quando trabalhava no Ilanud, fizemos uma análise da cobertura criminal dos jornais para verificar que tipo de crimes eram focados nas reportagens - tomando apenas os cadernos de cidades- usando um método chamado de AAD, análise automática de discurso.

O resultado, entre outros, é que havia uma super representação dos crimes violentos contra a pessoa e uma sub representação dos crimes não violentos contra o patrimônio. Este fenômeno não se restringe ao Brasil e nem a mídia impressa e é quase universal, uma vez que estes são os crimes que mais interessam aos leitores.

Refizemos rapidamente a análise da cobertura da Folha e Estado de S. Paulo em 2001 (cerca de 4000 matérias nos cadernos cotidiano e cidades), para um seminário de jornalistas e os resultados, mostrados abaixo, mostram a continuidade do perfil: furtos são metade dos crimes registrados em SP mas estão presentes em apenas 10% das matérias.
Por outro lado, homicídios são 1/4 das matérias, embora representem 0,35% dos crimes.

 
Natureza
Folha 2011
% Folha
ESTADO 2011
% Estado
SSP 2011
% SSP
RAZAO Folha
RAZÃO Estado
FURTO, FURTOS
199
9,96%
210
11,97%
645452
53,51%
0,19
0,22
ROUBO, ROUBOS, ASSALTOS
372
18,62%
445
25,36%
321808
26,68%
0,70
0,95
HOMICIDIO(S), ASSASSINATOS
460
23,02%
473
26,95%
4174
0,35%
66,53
77,88
LATROCÍNIO
49
2,45%
77
4,39%
286
0,02%
103,43
185,04
LESÕES CORPORAIS, AGRESSÕES
353
17,67%
195
11,11%
188432
15,62%
1,13
0,71
TRÁFICO
349
17,47%
231
13,16%
35584
2,95%
5,92
4,46
ESTUPRO
99
4,95%
43
2,45%
10399
0,86%
5,75
2,84
SEQUESTRO (SEM RELÂMPAGO)
117
5,86%
81
4,62%
71
0,01%
994,84
784,10









Total
1998
100,00%
1755
100,00%
1206206
100,00%
1,00
1,00


As maiores distorções ocorrem com relação aos latrocínios e sequestros, cuja cobertura é altamente desproporcional, levando em conta apenas a quantidade de casos. Notem como a cobertura de ambos os jornais é similar, do ponto de vista da natureza dos crimes noticiados.

É importante termos em mente esta sobre exposição dos crimes violentos pois a população em geral e os políticos se informam sobre criminalidade através dos meios de comunicação.

Uma cobertura pouco contextualizada pode induzir legisladores e população a apoiarem politicas públicas de segurança equivocadas.

sábado, 20 de outubro de 2012

Para onde vão os homicídios no Brasil ?


O Instituto Fernand Braudel de Economia Mundial em parceria com o jornal O Estado de S. Paulo realizará no próximo dia 30 de outubro, às 9h da manhã um seminário técnico sobre a situação atual da criminalidade no Brasil. A ideia é avaliarmos as tendências dos homicídios a partir dos dados mais recentes nos estados brasileiros.

 

Políticas gerais e medidas específicas conduzidas pelas instituições públicas de segurança, mudanças no padrão demográfico e uma maior organização do crime têm sido apontados como fatores que explicam a variação dos homicídios. Em São Paulo, a epidemia de homicídios que alcançou seu ponto alto entre 1998 e 2001 quando começou a reduzir até o ano passado, foi explicada pelo jornalista Bruno Paes Manso (Estadão), ex-pesquisador do Instituto Fernand Braudel, como sendo resultado de avanços institucionais. Em sua tese "Crescimento e queda dos homicídios em São Paulo: Uma análise dos mecanismos de escolha homicida e das carreiras no crime", defendida em agosto na Ciência Política da USP, Bruno realiza uma análise qualitativa para demonstrar os mecanismos sociais que causaram o movimento da curva de homicídios na capital e Região Metropolitana entre 1960 e 1999.

 

Você é nosso convidado especial para participar desse seminário no qual reuniremos pesquisadores, técnicos públicos e autoridades da área de segurança para refletir sobre para onde caminham as taxas de criminalidade e as principais medidas adotadas pelos Estados para conter a violência.

 

Pretendemos ter o maior número possível de especialistas e por isso contamos com seu apoio disseminando esse convite e recomendando de estudiosos e agentes públicos que julgue relevantes para se fazer presentes.

 

Esperamos sua confirmação e suas indicações.

 

Atenciosamente,

 


Nilson Vieira Oliveira

Coordenador

Cel.: 11 9 8757-5224

quinta-feira, 18 de outubro de 2012

'Estatuto do Desarmamento colaborou para queda de homicídios na região Sudeste'

No Nordeste, acelerado desenvolvimento econômico fez crescer os crimes patrimoniais e uso de armas de fogo para proteção pessoal, afirma cientista político

 
Tulio Kahn

A taxa de homicídios brasileira está em 26,2:100 mil habitantes, segundo dados de mortalidade do ministério da saúde de 2010. O crescimento linear observado desde 1980 foi estancado por volta de 2003, ano em que entrou em vigor o Estatuto do Desarmamento, em razão de quedas observadas principalmente na Região Sudeste. O processo de redução seria ainda maior, não fosse o crescimento observado nas regiões Norte e Nordeste, onde o acelerado desenvolvimento econômico fez crescer os crimes patrimoniais e com eles o uso de armas de fogo para proteção pessoal.
O sociólogo Max Weber alerta que o futuro deve ser deixado aos astrólogos, mas ainda assim, com base nas tendências recentes, é possível apontar para a continuidade da queda das taxas de homicídio nos próximos anos, em razão de vários fatores, como a diminuição da proporção de jovens na população, o aumento dos investimentos em segurança pública, a diminuição do ritmo de crescimento econômico acelerado no Norte e Nordeste, a redução das desigualdades sociais no país, o aumento do rigor na fiscalização do consumo de bebidas alcoólicas, o uso mais intenso de sistemas inteligentes pelas polícias e a diminuição da impunidade dos crimes dolosos contra a vida.
Os ritmos deste processo serão desiguais, em função da maior ou menor presença destes fatores nos estados e é possível que haja retrocessos, pois depende da continuidade das políticas públicas adotadas regionalmente. Mas a experiência internacional corrobora que, passado certo limiar de desenvolvimento econômico e social, as taxas de homicídio tendem a diminuir.
Tulio Kahn é cientista político e ex-coordenador de análise e planejamento da Secretaria de Segurança Pública

quarta-feira, 17 de outubro de 2012

Perdendo a batalha contra a violência?

foto: Érica Dezonne/AAN
O cientista político e sociólogo Tulio Kahn defendeu a criação de um sistema de dados e coleta de informações pelas empresas de comunicação membros da Sociedade Interamericana de Imprensa (SIP), durante o painel “Perdendo a batalha contra a violência?”, no último dia da 68ª Assembleia-Geral da SIP.
Além das mortes, é necessário contabilizar todos os tipos de ameaça contra a imprensa, segundo Kahn. “Desta forma é possível mapear o modus operandi da violência de acordo com o país ou região e proteger melhor os profissionais”. No Brasil, a maior parte dos casos de morte de jornalistas nos últimos anos ocorreu fora do eixo Rio-São Paulo.
Os jornais também têm deixado de fazer uma cobertura ampla da criminalidade nas grandes metrópoles, de acordo com o sociólogo. Em 2011, a cobertura de várias modalidades de crimes por parte dos dois maiores periódicos da Capital paulista não chegou a 1%.
Em entrevista ao Correio, Kahn afirmou considerar natural os jornais darem maior visibilidade à violência cometida a pessoas conhecidas ou crimes passionais. No entanto, é importante os repórteres estarem atentos às estatística criminais. “É necessário contextualizar. Perceber as oscilações dos números, verificar porque os fenômenos acontecem”, disse o sociólogo.
Khan também criticou a cultura dos três mitos- hiperdimensão, hiperpericulosidade e impunidade-, que, segundo ele, impera na imprensa. “É por conta desses vícios da cobertura dos jornais que a redução da maioridade penal tem grande apoio popular, por exemplo”, afirmou. Leis criadas às pressas, frutos de casos de violência de grande repercussão na mídia, também se mostram ineficazes no futuro, de acordo com Kahn. “A Lei de Crimes Hediondos, criada após o assassinato da Daniela Perez, não teve efeito na diminuição de crimes quando foi criada. Os números só começaram a cair 10 anos mais tarde, com o Estatuto do Desarmamento”.
enviada por Cecília Polycarpo

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