terça-feira, 27 de fevereiro de 2018

Tendências criminais no Brasil em 2017


Não existe um sistema nacional para monitorar a criminalidade nos estados de forma atualizada. Para ter uma noção do que está ocorrendo em nível nacional e estadual, alimento um B.I. no meu blog desde 2011 , com base nas informações publicadas mensalmente por algumas secretarias estaduais de segurança. No link abaixo é possível efetuar outras consultas e ler as observações sobre a cobertura espacial e temporal dos dados;
Entre outras utilidades, o sistema permite comparar a situação de alguns estados, verificar os ciclos criminais, os impactos da economia sobre a criminalidade, eventuais erros nos dados divulgados, identificar cases positivos, identificar o eventual efeito de intervenções, etc. 
Nesta apresentação, seguem slides selecionados com os dados atualizados até 2017.
Como já adiantado em artigo no blog no ano passado, os dados corroboram a hipótese de que crimes patrimoniais estão caindo de forma generalizada em 2017, com a retomada do crescimento da economia.
Furtos, furtos de veículos, latrocínios, roubos e roubo de veículos caem, de modo geral, em 2017 com relação a 2016. No RJ, em compensação, continuaram a subir em 2017. Neste sentido, o RJ parece ser uma exceção no cenário nacional.

Note-se que as variações criminais no RJ e SP são tradicionalmente bastante similares. Rio teve de fato crescimento anormal de roubo e  roubo de veículos em 2016 e início de 2017 mas a pior fase já foi ultrapassada. Dados mais recentes sugerem o início de um ciclo de queda também no RJ.
É importante levar em consideração as tendências criminais anteriores para avaliar o impacto da intervenção federal no RJ, que tem início, portanto,  já num ciclo de queda da criminalidade;
Note-se o impacto da greve da PC no Rio de Janeiro, por volta de fevereiro de 2017, especialmente na notificação de crimes menos graves como furtos e lesões corporais.
Se a justificativa para a intervenção é um aumento súbito e dramático da criminalidade, o caso do crescimento dos homicídios no Ceará em 2017, onde os homicídios subiram 50%, justificaria uma intervenção naquele Estado.
Em termos de taxas, o RJ não chama a atenção na maioria dos casos, ficando ora acima, ora abaixo da média nacional, dependendo do indicador escolhido. O crescimento súbito do roubo de veículos nos últimos anos, contudo, fez com que a taxa no RJ ficasse entre as mais elevadas do país.
Regra geral, tendências de tráfico e roubo de veículos são invertidas: uma sobe quando a outra desce e vice-versa. Os ciclos econômicos respondem pela maior parte do fenômeno mas é possível especular que no RJ o foco da segurança no tráfico de drogas tenha provocado uma migração criminal para roubo de cargas e roubo de veículos.


Link para o power point no research gate, com a apresentação completa

https://www.researchgate.net/publication/323428492_Algumas_tendencias_criminais_no_Brasil_em_2017

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