terça-feira, 21 de outubro de 2014

Summus lança "Junho de 2013 - A sociedade enfrenta o Estado"


Os movimentos de junho de 2013 foram uma das mais importantes manifestações populares da história brasileira. Além disso, apresentaram um caráter absolutamente inédito. Não tiveram uma causa, como nas diretas-já e no impeachment do ex-presidente Fernando Collor de Mello. Não foram convocadas por instituições representativas tradicionais, como partidos, sindicatos e grêmios estudantis. E foram surpreendentes porque não existia no horizonte nada que indicasse uma movimentação social tão intensa.

No livro Junho de 2013 – A sociedade enfrenta o Estado (160 p., R$ 47,20), lançamento da Summus Editorial, expressivos intelectuais brasileiros comentam as manifestações. Organizada pelo cientista político Rubens Figueiredo, a obra é uma contribuição para o aprofundamento da análise daquela que foi, provavelmente, a mais complexa e difusa manifestação popular de que se tem notícia no Brasil. Os 10 capítulos contemplados no livro foram escritos, quase todos, no segundo semestre de 2013 e refletem o clima da mais absoluta surpresa que tomou conta da sociedade. “É como descrever um furacão sendo levado pelo vendaval”, diz o organizador. O lançamento acontece no dia 21 de outubro, terça-feira, das 18h30 às 21h30, no piso térreo da Livraria Cultura do Conjunto Nacional (Av. Paulista, 2.073).

O primeiro capítulo traz uma linha do tempo que relembra os principais acontecimentos daquele mês de junho, situando os leitores na perspectiva do momento. “É interessante observar a sequência dos fatos e a reação errática das autoridades e das próprias lideranças das manifestações, que a certa altura do processo confessaram não ter mais controle sobre o que estava acontecendo”, lembra Figueiredo. Em seguida, no segundo capítulo, ele explica o ânimo da opinião pública naquela época e desenvolve hipóteses sobre os fatores que podem ter contribuído para a explosão social e sobre os motivos de irritação da sociedade, entre eles a questão do “inferno da vida privada” e da “escalada da esperteza governamental”.

O economista Roberto Macedo faz, no terceiro capítulo, uma análise dos aspectos econômicos relacionados às manifestações, apresentando dados sobre a urbanização no Brasil e mapeando os investimentos do governo federal nas mais diferentes áreas. No quarto capítulo, o consultor Ney Figueiredo lança luzes sobre a participação dos empresários durante as manifestações, mostrando a omissão completa desse segmento durante os momentos mais críticos dos episódios que mobilizaram a atenção nacional.

“Todo eleitor é um eleitor.com”, afirma o jornalista e especialista em redes e mídias sociais Marcelo Tognozzi ao iniciar o quinto capítulo. Apoiando-se em dados de pesquisa, ele faz uma tipologia do usuário das redes sociais e defende a ideia de que se está criando um ambiente mais propício para fazer política no mundo virtual. Para o autor, esse tipo de mobilização e manifestação não tem líderes, mas ativadores. Já para o cientista social Bernard Sorj, que assina o sexto capítulo, a grande novidade para uma geração acostumada a viver no mundo virtual foi a rua – e não a internet.

No sétimo capítulo, o jornalista multimídia José Nêumanne Pinto interpreta os acontecimentos de junho, com destaque para as reações das autoridades. Ele analisa o zigue-zague governamental, mostrando que o governo atuava a esmo, sem ter a mínima noção do que se passava de fato na sociedade. Em seguida, no oitavo capítulo, um dos maiores especialistas do Brasil na área de estudos sobre a criminalidade e violência, Tulio Kahn, analisa as questões relacionadas à segurança pública que estiveram presentes nos episódios de junho.

Na sequência, o filósofo gaúcho Denis Rosenfield faz uma reflexão crítica acerca do PT e da estrutura política brasileira. O autor insere em sua análise a crise das instituições políticas tradicionais, como partidos, sindicatos e até os movimentos sociais mais conhecidos, que ficaram à margem das manifestações. No décimo e último capítulo, o cientista político Rogério Schmitt faz uma esclarecedora análise da participação dos jovens na população e na política brasileira.

O organizador

Rubens Figueiredo é diretor‑geral do Cepac – Pesquisa e Comunicação. Consultor político, pós‑graduado em Ciência Política pela Universidade de São Paulo (USP), fez estágio nas principais centrais patronais da França, da Inglaterra e da Espanha. É comentarista da rádio Jovem Pan, associado a World Association for Public Opinion Research (Wapor), fundador e diretor executivo da Associação Brasileira de Consultores Políticos (Abcop), integrante do Centro de Estudos de Opinião Pública da Unicamp (Cesop), conselheiro da Fundação Konrad Adenauer e da Associação Comercial de São Paulo. Escreveu, em parceria com Fernando Henrique Cardoso, o paper “Reconciling capitalists with democracy: the Brazilian case”, apresentado na Itália e publicado na Inglaterra. É diretor da Fundação Espaço Democrático e publicou, entre outros, A era FHC: um balanço e As cidades que dão certo (em parceria com Bolivar Lamounier), O que é opinião pública (em parceria com Silvia Cervellini) e Empresariado brasileiro: política, economia e sociedade.

Título: Junho de 2013 – A sociedade enfrenta o Estado
Organizador: Rubens Figueiredo
Editora: Summus Editorial
Preço: R$ 47,20 (Ebook: R$ 30,00)
Páginas: 161 páginas – 14 x 21 cm
ISBN: 978-85-323-0941-9
Atendimento ao consumidor: (11) 3865-9890
Site: http://www.summus.com.br

O junho que não acabou...



Imprimir Detalhes Publicado em Segunda, 20 Outubro 2014 22:04 Escrito por Victória Brotto



Largo da Batata, em Pinheiros, no dia 17 de junho de 2013: os sons da multidão ainda ecoam hoje na vida política brasileira. / Gabriela Biló/Estadão Conteúdo
Os movimentos populares de junho de 2013 entraram para a história do País, mas uma pergunta ainda estava sem resposta. Como os protestos explodiram em um momento em que as estatísticas apontavam para uma sociedade em considerável estado de calmaria? Os protestos ganharam tal relevância que aquele período foi considerado uma "jornada", as chamadas "Jornadas de Junho".

Quase 16 meses depois daquelas manifestações – que não tiveram uma causa como a das Diretas já ou do impeachment de Collor –, o consultor político Rubens Figueiredo assumiu o desafio de responder à pergunta acima, junto com oito renomados especialistas de forma multidisciplinar no livro Junho de 2013 – A sociedade enfrenta o Estado.

"O momento é oportuno porque agora é possível fazer uma análise serena do que de fato aconteceu", diz Figueiredo, organizador da edição. "O mar não estava revolto e ocorreu um naufrágio."

Figueiredo reuniu textos de um time de peso no livro: o economista Roberto Macedo; o consultor Ney Figueiredo; o filósofo e colunista do Diário do Comércio, Denis Rosenfield; o jornalista José Nêumanne Pinto; o sociólogo Bernardo Sorj; o consultor em Comunicação Marcelo Tognozzi; o cientista político Rogério Schmitt e o sociólogo Tulio Kahn.

No livro, que será lançado hoje, às 18h30 na Livraria Cultura do Conjunto Nacional, em São Paulo, os cenários não só dos protestos, mas o anterior a eles, são dissecados pelos especialistas ao longo de sete capítulos e 159 páginas. O economista Roberto Macedo, por exemplo, explica os fatores econômicos ligados ao movimento; o consultor Ney Figueiredo fala sobre a participação dos empresários.

Sobre os protestos no Brasil e no resto do mundo, escreve Bernard Sorj e o jornalista José Nêumanne Pinto fala sobre a relação dos manifestantes com as autoridades, relação esta que é complementada por Túlio Kahn, que analisa a polícia e sua ação "estrategicamente errada". Ao final, o filósofo Denis Rosenfield discorre sobre a resposta do governo de Dilma Rousseff diante de uma geração de jovens desencantados com o PT.


Fotos: Masao Goto Filho/e-SIM, Leonardo Rodrigues/e-SIM e Newton Santos/Hype


Em entrevista ao Diário do Comércio, Rubens Figueiredo afirma que os manifestantes, que em 2013 enfrentaram o Estado, uma polícia "romana que marcha para cima de supostos inimigos" e uma imprensa aterrorizada, conseguiram mudar sim o cenário político do País – mesmo elegendo um Congresso conservador nas eleições deste ano. "Se não houvesse o movimento, a Dilma não estaria empatada com o candidato da oposição, ela ganharia no 1º turno. Após as manifestações, o PMDB e PT, que representavam aquilo contra o qual se insurgiram os jovens, perderam 25 cadeiras no Congresso." Leia a seguir a entrevista:

Diário do Comércio – Como surgiu a ideia do livro e como foram definidos os autores e os aspectos das manifestações a serem analisados?
Rubens Figueiredo – A ideia do livro foi tentar explicar de uma forma multidisciplinar o que aconteceu no ano passado em junho. Quando a ideia surgiu existiam varias interpretações do processo. Então eu pensei: 'Olha vamos convidar analistas que abordem o fenômeno de diferentes perspectivas'. Ele dá uma visão mais serena e mais abrangente do que aconteceu naquele ano. Alguns livros foram publicados, mas acredito que o livro que a gente está lançando tem a vantagem de ter uma análise mais ponderada, os outros foram escritos no calor do momento. Temos, portanto, não só a questão temporal, mas a qualidade dos autores e a abordagem multidisciplinar.

DC – No livro, o senhor diz que os protestos mostraram que houve um AVC na opinião pública sem que houvesse um paciente hipertenso. Como assim?
RF – O governo federal, os estaduais e os municipais estavam bem avaliados, a situação econômica do País estava de acordo com aquilo que vinha acontecendo nos meses anteriores, você não teve uma grande crise institucional, nem um grande escândalo. Então, era difícil você explicar uma manifestação daquele tamanho, daquela virulência, num contexto de aparente calma. O mar não estava revolto e aconteceu um naufrágio. Mas eu levanto hipóteses do que poderia ter acontecido, como por exemplo, a irritação com a esperteza do Estado, colocando a culpa no outro e vendendo o Brasil como o melhor dos mundos, e a péssima qualidade da vida privada, com empresas não dialogando com os clientes e fazendo o que bem entendiam.


O organizador do projeto Rubens Figueiredo e a capa do livro (ao lado): 'Em poucos dias, a mobilização dos jovens acuou a presidente da República'. - Fotos: Divulgação
DC – Ao mesmo tempo que o senhor diz que quer explicar as manifestações, o senhor diz que é impossível fazê-lo. Afinal, o senhor gostaria que o leitor tirasse qual conclusão do livro?
RF – Eu queria que o leitor falasse assim: 'Puxa vida, eu entendi melhor o que aconteceu. Agora eu sei que se a polícia tivesse agido de outra forma, as coisas teriam sido diferentes, eu agora entendo que as explosões sociais não tiveram causas definidas e eu entendo que aquilo que o governo fala nem sempre é aceito pela sociedade, quando ela vê um cenário diferente.

DC – O título do livro é "A sociedade enfrenta o Estado", mas vimos estabelecimentos comerciais sendo quebrados e aversão à imprensa. Não foi então somente um enfrentamento ao Estado.
RF – Sem dúvida, foi um movimento mais amplo. Mas o que me chamou muito a atenção em termos de imagem e simbologia foi aquela tentativa de invasão ao Congresso que foi reportada pela televisão de uma forma muito dramática, até porque a imprensa estava aterrorizada. Mas a sociedade estava enfrentando, de forma revolucionária, o Estado.

DC – E por que a necessidade de enfrentamento e não de diálogo com o Estado?
RF – No capitulo de segurança, temos lá a avaliação da polícia que não estava preparada para enfrentar um movimento daquela natureza. A polícia brasileira parece os legionários romanos, ela identifica alguém que acha que é inimigo e marcha sobre ele. Ao meu ver, o enfrentamento aconteceu, em grande parte, por causa da falta de preparo da polícia. Ela tinha que agir com mais inteligência, pensando em acalmar a situação e não criando mais fogo.

DC – Um ano depois dos protestos, elegeu-se um Congresso. É o mais conservador da última década. Podemos dizer, então, que as manifestações não deram em quase nada?
RF – Depende da temporalidade que você analisa. Quando os acontecimentos ocorreram abaixou-se a tarifa dos ônibus, a presidente da República foi em cadeia nacional, propôs um plebiscito para reforma política, propôs um pacto pela mobilidade e criou-se o Mais Médicos. Não é assim ‘não aconteceu nada’. Se não houvesse o movimento, a Dilma já teria sido reeleita no 1º turno. A avaliação dela caiu 30 pontos e isso foi inédito para as pesquisas. Agora o PMDB e PT que eram governo e representavam tudo daquilo contra ao qual se insurgira, perderam 25 cadeiras no Congresso.

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