segunda-feira, 22 de outubro de 2012

Queda dos roubos no RJ: a diferença que a boa gestão faz

Os jornais apontaram hoje, com a divulgação dos dados criminais do Rio de Janeiro de setembro, que o estado atingiu as menores taxas de homicídio desde 1991.

É interessante notar também que as taxas de roubo outros no RJ estão em declínio desde 2009, quando atingiu seu pico após a crise econômica (cerca de 800:100 mil). Em setembro, a taxa carioca ficou em torno de 547:100 mil e, pela primeira vez na série histórica recente, ficou mais baixa que a de São Paulo.

Enquanto a taxa média de São Paulo ficou estacionada em torno dos 600:100, a taxa média do RJ caiu 24% entre 2009 e 2012.


Como a imprensa vê os crimes


Nos anos 90, quando trabalhava no Ilanud, fizemos uma análise da cobertura criminal dos jornais para verificar que tipo de crimes eram focados nas reportagens - tomando apenas os cadernos de cidades- usando um método chamado de AAD, análise automática de discurso.

O resultado, entre outros, é que havia uma super representação dos crimes violentos contra a pessoa e uma sub representação dos crimes não violentos contra o patrimônio. Este fenômeno não se restringe ao Brasil e nem a mídia impressa e é quase universal, uma vez que estes são os crimes que mais interessam aos leitores.

Refizemos rapidamente a análise da cobertura da Folha e Estado de S. Paulo em 2001 (cerca de 4000 matérias nos cadernos cotidiano e cidades), para um seminário de jornalistas e os resultados, mostrados abaixo, mostram a continuidade do perfil: furtos são metade dos crimes registrados em SP mas estão presentes em apenas 10% das matérias.
Por outro lado, homicídios são 1/4 das matérias, embora representem 0,35% dos crimes.

 
Natureza
Folha 2011
% Folha
ESTADO 2011
% Estado
SSP 2011
% SSP
RAZAO Folha
RAZÃO Estado
FURTO, FURTOS
199
9,96%
210
11,97%
645452
53,51%
0,19
0,22
ROUBO, ROUBOS, ASSALTOS
372
18,62%
445
25,36%
321808
26,68%
0,70
0,95
HOMICIDIO(S), ASSASSINATOS
460
23,02%
473
26,95%
4174
0,35%
66,53
77,88
LATROCÍNIO
49
2,45%
77
4,39%
286
0,02%
103,43
185,04
LESÕES CORPORAIS, AGRESSÕES
353
17,67%
195
11,11%
188432
15,62%
1,13
0,71
TRÁFICO
349
17,47%
231
13,16%
35584
2,95%
5,92
4,46
ESTUPRO
99
4,95%
43
2,45%
10399
0,86%
5,75
2,84
SEQUESTRO (SEM RELÂMPAGO)
117
5,86%
81
4,62%
71
0,01%
994,84
784,10









Total
1998
100,00%
1755
100,00%
1206206
100,00%
1,00
1,00


As maiores distorções ocorrem com relação aos latrocínios e sequestros, cuja cobertura é altamente desproporcional, levando em conta apenas a quantidade de casos. Notem como a cobertura de ambos os jornais é similar, do ponto de vista da natureza dos crimes noticiados.

É importante termos em mente esta sobre exposição dos crimes violentos pois a população em geral e os políticos se informam sobre criminalidade através dos meios de comunicação.

Uma cobertura pouco contextualizada pode induzir legisladores e população a apoiarem politicas públicas de segurança equivocadas.

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