quinta-feira, 26 de maio de 2011

Crime afeta ambiente de negócios no Brasil

A criminalidade é não apenas um obstáculo ao desenvolvimento humano como também um obstáculo ao desenvolvimento econômico dos países. Com esta perspectiva, o Banco Mundial começou em 2006 a pesquisa "Enterprise survey", avaliando o ambiente para o desenvolvimento dos negócios em cada país.

Desde então dezenas de milhares de empresas foram entrevistadas em centenas de paises e o Brasil participou da amostra em 2009, quando cerca de 2000 empresas de todas as regiões e portes responderam ao questionário.

Um dos tópicos procura investigar como o crime afeta os negócios no país: contratação de segurança, perdas com furtos e roubos, valor dos seguros, etc.

A tabela abaixo resume os dados para cada indicador em cada Estado.



Os números dão uma idéia dos custos da criminalidade para o país. Na média, 57% das empresas avaliam que o crime é um grande obstáculo aos negócios no Brasil (72% no NE), 74,6% delas afirmam pagar por alguma forma de segurança (88,2% no NE) e os custos com seguro chegam a representar 2,5% do valor das vendas (4,1% no NE). Não é preciso dizer que quem paga a conta no final é o consumidor, mas também as empresas têm sua margem de lucro reduzida.

Se o crescimento do Brasil foi considerável nos últimos anos, poderia ter sido ainda maior. China e Índia, pra ficar apenas no grupo dos brics, não arcam com custos tão elevados de segurança e crescem em ritmo mais acelerado.

O drama é que, na medida em que a economia do Brasil desacelera, a criminalidade cresce, aumentando ainda mais os obstáculos ao desenvolvimento.

terça-feira, 24 de maio de 2011

Homicídios e armas de fogo

O governo federal retoma neste semestre a Campanha do Desarmamento no país. Mais relevante do que a quantidade de armas que é devolvida pela população, cuja quantidade é simbólica perto do que as polícias apreendem mensalmente, é a lembrança de que andar armado é, desde o Estatuto de 2003, crime punido com rigor.

O retorno da Campanha relembra aos portadores de armas dos riscos e "custos" de andar armado. Com menos armas circulando, menos homicídios temos. O economista Daniel Cerqueira estima que para cada 18 armas apreendidas, temos 1 homicídio a menos.

O gráfico abaixo traz a variação do volume de armas apreendidas pela polícia de São Paulo a cada trimestre(que é uma proxy, ou variável substituta para o volume de armas em circulação) e a variação dos homicídios dolosos no Estado.


Já há muitos anos mostramos que a diminuição do volume de armas em circulação foi o principal motivo da queda dos homicídios em São Paulo, em especial após o Estatuto do Desarmamento em 2003 (foi também o ano que assumi a CAP...)

O problema é que, apesar dos esforços do Ministério da Justiça, o país está entrando numa fase de desaceleração econômica e elevação dos crimes patrimoniais (veja os posts anteriores sobre SP e RGS). Assim, se por um lado a Campanha do Desarmamento relembra os custos de andar armado, por outro lado, o aumento dos roubos diminui estes "custos" pois o indivíduo pode achar que, apesar do risco da punição, vale a pena andar armado para se proteger dos roubos. Foi exatamente o que ocorreu na crise de 2008/2009, como mostra o gráfico, quando tanto armas em circulação quanto homicídios voltaram a subir.

De toda a forma o retorno da Campanha é bem vindo pois, pensando contrafactualmente, o eventual aumento dos homicídios seria ainda maior sem ela...

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