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terça-feira, 15 de abril de 2014
Blog do Roldão Arruda resume debate sobre política de drogas
14.abril.2014 22:00:45
Para secretário nacional, diferença entre usuário e traficante de maconha ainda não está clara
Em debate realizado nesta segunda-feira, 14, sobre a descriminalização da maconha, o titular da Secretaria Nacional de Políticas sobre Drogas, Vitore Maximiano, observou que até hoje “não estão claras no Brasil as balizas entre quem porta drogas para consumo próprio e para comercializar”. Essa indefinição, na avaliação dele, “tem levado a um número exagerado de prisões”.
O debate, denominado Maconha Livre: Problema ou Solução foi organizado pelo Espaço Democrático, fundação do PSD para formação política, com transmissão pela internet.
Apesar do tema estar bem definido, na maior parte do tempo os debatedores evitaram dar opiniões claras e diretas sobre a descriminalização. Preferiram tratar de temas gerais, como a prevenção do consumo de drogas entre adolescentes, problemas de segurança e de saúde pública.
As duas intervenções mais diretas foram as da ex-vice-prefeita de São Paulo, Alda Marco Antonio (PSD), cotada para ser a vice de Gilberto Kassab (PSD) na disputa para o governo de São Paulo, e a do sociólogo Túlio Kahn, coordenador do Conselho Temático de Segurança Pública do Espaço Democrático.
“Se legalizar, como vou dizer a um adolescente para que não use maconha? Ele vai me responder que é legal”, disse Alda. “É por essa razão que sou absolutamente contra a liberação. Quero ajudar os grandes contingentes de jovens que ainda não provaram a droga. Quem defende a descriminalização está preocupado com redução de danos, enquanto eu me preocupado com a prevenção.”
Kahn lembrou que a maconha já foi liberada em alguns países para uso recreativo e até mesmo economistas de tendência liberal vêm aprovando a ideia, na medida em que beneficia a economia, com o recolhimento de impostos sobre uma atividade antes ilegal.
“O mercado existe e atualmente só beneficia o traficante. A mudança poderia beneficiar também o Estado, que teria mais recursos para o tratamento de dependentes de drogas”, disse o sociólogo.
Kahn contestou o argumento de que a maconha é a porta de entrada para outras drogas, consideradas mais pesadas. “Países que liberaram não tiveram impacto significativo no aumento de usuários”, afirmou.
O estudioso observou ainda que a maconha, embora ocupe 80% do mercado de drogas, é responsável por uma fatia de 20% dos lucros.
O médico Januário Montone, que chefiou a Secretaria Municipal de Saúde na gestão de Kassab à frente da Prefeitura de São Paulo, defendeu a realização de um plebiscito sobre a descriminalização.
O PSD é o terceiro maior partido País em número de deputados, atrás do PMDB e do PT.
Acompanhe o blog pelo Twitter – @Roarruda
quarta-feira, 9 de abril de 2014
Debate em 14/4 sobre política de drogas, na Fundação Espaço Democrático
É possível acompanhar on-line o programa, a partir das 19:00
Detalhes no link abaixo:
http://www.psd.org.br/noticia/debate-no-espaco-democratico-maconha-livre-e-problema-ou-solucao/
terça-feira, 1 de abril de 2014
Copa vai pegar auge dos roubos no pais
Em agosto de 2013 publicamos um post neste blog mostrando o início de um ciclo de alta dos crimes patrimoniais em diversos Estados, ciclo que teve início por volta de dezembro de 2012. As estatísticas divulgadas neste início de 2014 mostram que o ciclo está longe de se esgotar, que ainda não atingiu seu pico e em alguns Estados o crescimento dos roubos está acelerando.
Em Goias tivemos aumentos em janeiro e fevereiro - sempre com relação ao mesmo período do ano anterior, de 42 e 40,3% nos roubos. Em Minas de 32,6 e 36,8% nos crimes patrimoniais violentos, no Mato Grosso de 41,4 e 51,4%. No Mato Grosso do Sul os números foram 28,9 e 29,4% de crescimento (apenas Capital). Em São Paulo de 32,4% em janeiro e 37,2% em fevereiro. No Rio de Janeiro, o aumento foi de 55,7% ! comparando janeiro com janeiro de 2013.
A tabela abaixo traz as variações dos roubos, alisadas em médias trimestrais para tornar o fenômeno mais visivel:
Como sugere a generalidade do crescimento dos roubos em diversos Estados, o fenômeno não se deve apenas a problemas individuais de gestão, mas a causas comuns relacionadas aos ciclos econômicos: baixo crescimento do PIB, queda na confiança do consumidor, crescimento dos cheques sem fundo, etc. - ainda que as taxas de emprego estejam em patamares elevados.
Os turistas estrangeiros precisam estar preparados para este cenário, alertados sobre como se comportar numa situação de roubo, que os brasileiros já conhecem bem: não carregar bens e não reagir.
É um escândalo que um pais que não resolveu seus problemas básicos de segurança gaste dinheiro público com estádios e desloque seus parcos recursos policiais para a proteção do evento.
Salve a seleção e salve-se quem puder!
segunda-feira, 24 de fevereiro de 2014
Número de roubos no Estado em janeiro é suspeito pois está além do esperado
A SSP informa para janeiro 26987 roubos no Estado, quantidade que está acima de 3 desvios padrão da média...Era esperado um aumento pois os crimes patrimoniais estão crescendo em outros estados e apresentava tendência de crescimento em SP. Tendência agravada pela deterioração da economia no período, como se vê, entre outros indicadores, pela queda no ICC - índice de confiança do consumidor - que costuma ter uma relação inversa com os roubos. Mas suspeito que o crescimento apontado pode eventualmente se dever a erro de cálculo pois o crescimento foi demasiado. Se não foi erro de cálculo, a situação é bem pior do que imaginávamos...
segunda-feira, 10 de fevereiro de 2014
Quer saber a tendência de roubo de veículos? Pergunte ao Google !
A análise do chamado “big data” é uma tendência crescente no setor privado. A ideia básica é buscar correlações ocultas entre fenômenos usando bases de dados gigantescas de informações coletadas junto aos consumidores e usuários, complementando-as ou não com informações de outras fontes.
O Big Data não pretende fazer ciência ou discutir causalidade (embora os profissionais se denominem data scientists), pois o mercado não tem tempo nem vocação para isso. Correlação, como sempre se diz, não é causação; significa apenas que dois fenômenos variam juntos no tempo (ou no espaço), mesmo que a ligação entre eles seja espúria. Conhecendo a correlação você pode fazer boas previsões e talvez obter algum insight sobre porque algumas variáveis se comportam de maneira parecida. Neste campo ninguém está muito preocupado em saber porque a previsão funciona: basta que funcione, abordagem aliás compartilhada por muitos epidemiologistas, com sucesso na área da saúde.
Big Data não serve somente pra aumentar as vendas e pode ser usado para outras finalidades mais nobres: um exemplo interessante e bastante citado é o da previsão de epidemia de gripe feita pela Google, com base nas buscas dos usuários usando palavras chave ligadas a sintomas e tratamento da doença. Evidências comparando as previsões do google flu com os dados epidemiológicos oficiais da saúde mostraram que o sistema produz previsões acuradas, mais rápidas e baratas sobre surtos de gripe nos Estados Unidos.
E como anda a discussão sobre big data no campo da segurança pública? Os departamentos de polícia lidam com bases de dados gigantescas com informações sobre eventos criminais, vítimas e suspeitos, veículos e armas, entre outras. Apenas algumas unidades de análise contam com recursos mais sofisticados para ficar buscando correlações estatísticas; na prática, na maioria das unidades o máximo que se faz é usar as informações passadas para mapear hot spots criminais no espaço e no tempo, ou seja, ruas e horários de maior incidência criminal. Fazer perfis de vítimas e autores são outro uso comum mas a cultura do big data é ainda incipiente. Inspirado em Big Data, há um aperfeiçoamento das técnicas para estimar hot spots, que são as análises preditivas, com novos softwares e algoritmos, como o Predpol que, tal como no filme Minority Repport, promete refinar as sugestões de locais e horários para operações policiais. Seu uso vem se disseminando nos departamentos de polícia e é algo para se monitorar de perto.
Há pouco tempo, o Google disponibilizou um recurso chamado google correlate, que, como o nome sugere, permite correlacionar dados inseridos pelo usuários com buscas feitas pelos usuários do google na internet, para um dado período e país. A lógica subjacente é a do big data: buscar correlações elevadas, sem preocupações causais, para prever eventos ou obter insights para melhor compreendê-los.
Como um experimento, inserimos no google correlate a série histórica de roubo de veículos no Estado de São Paulo entre janeiro de 2004 e junho de 2013. Inserida a série, o sistema busca automaticamente as palavras e expressões dos usuários que mais se “parecem” com ela, usando coeficientes de correlação de Pearson. O analista pode também escolher períodos específicos e defasar ou adiantar a série por quantos períodos desejar, uma vez que nem sempre a correlação temporal entre fenômenos é simultânea.
O experimento, apesar das limitações ( por exemplo, temos apenas as buscas para Brasil e não especificamente para São Paulo; o sistema mostra a correlação mas não a quantidade de casos usada para obtê-la, etc) trouxe alguns resultados bastante interessantes: o sistema não tem como saber sobre o que trata a série de dados inserida (no caso, roubo de veículos) mas mesmo assim encontrou correlações com vários fenômenos relacionados a veículos. Além disso, as palavras chave que apareceram estão associadas ao problema do desmanche de veículos, uma das motivações principais para roubo de veículos em São Paulo.
Assim, por exemplo, as variações mensais nos roubos de carros entre 2004 e 2013 coincidem com as consultas dos usuários, no mesmo mês, para as expressões “peça” (R=0,79) e “nacional wolksvagen” (r=0.73). A correlação com a busca “nacional wolksvagen” cresce para 0.78, se defasarmos a série em um mês (t-1), ou seja: o volume de roubo de veículos num determinado mês está associado a buscas no google usando esta expressão, no mês anterior.
Igualmente interessante é que quando defasamos a série para outros períodos encontramos correlações elevadas em t-2 com a expressão “multa Detran” (r-0.76) e em t-3 com a procura no google por “auto som” (r=0.79).
Obviamente que não se pode tirar grandes conclusões desses achados mas não deixa de ser interessante notar que, sem saber do que se tratavam os números, que poderiam ser sobre produção de rosquinhas, o google correlate sugere que a variação mensal do roubo de veículos em São Paulo está altamente correlacionada a buscas de usuários brasileiros usando as palavras chave peças, nacional wolksvagen, multa Detran e auto som no mesmo mês ou nos meses anteriores. Parece sugerir que o roubo de veículo está relacionado a demandas no mercado ilegal de peças e equipamentos automotivos e talvez a fraudes (falsos registros de roubos em veículos com multas elevadas).
Conhecer a causa por traz dos fenômenos é sempre importante. Diz se que no período da Peste Negra na Europa acreditava-se que os ratos transmitissem a doença, quando na verdade era a pulga presente nos ratos. Esta correlação espúria peste-ratos provavelmente causou a morte de milhares de pessoas pois ao eliminar os ratos, as pulgas mais facilmente proliferavam entre os seres humanos...
Os adeptos do big data não lidam com temas tão cruciais quanto a peste negra e seu maior interesse é aumentar as vendas. Não importa se a correlação é espúria ou não mas que a correlação exista e seja forte. Se o seu interesse não é combater o roubo de veículos mas calcular valor de seguro ou estimar riscos e tendências, não é preciso esperar pelas estatísticas oficiais de criminalidade. Vá ao Google Trends munido de algumas palavras chave que se correlacionam ao fenômeno de interesse e terás uma excelente previsão das tendências associadas a ele.
O estudo das causas precisa de técnicas e análises mais sofisticadas e ai não há substituto para o bom e velho método científico mas, como vimos, big data e correlações podem dar boas pistas pra começar!
quinta-feira, 30 de janeiro de 2014
Um retrato dos roubos em SP
Um retrato dos roubos em SP
30 de janeiro de 2014 | 2h 09
Notícia
O Estado de S.Paulo
Levantamento inédito da Coordenadoria de Análise e Planejamento da Secretaria da Segurança Pública, com base nos Boletins de Ocorrência (BOs) registrados entre janeiro de 2001 e julho de 2013, aponta um aumento alarmante dos índices de "reiteração criminal" no Estado de São Paulo. Essa expressão foi usada pelos autores da pesquisa para diferenciá-la do conceito de reincidência criminal, que é aplicado aos crimes transitados em julgado com, no máximo, cinco anos de intervalo.
Divulgada na mesma semana em que a Secretaria da Segurança anunciou que o número de veículos roubados no Estado em dezembro foi o maior dos últimos 12 anos, a pesquisa não abrangeu as Varas de Execução Penal. A análise limitou-se apenas às estatísticas da Secretaria, que só no ano passado registrou uma média mensal de 29.320 BOs de roubos. A média vem aumentando em velocidade preocupante. Entre 2011 e 2013, ela foi de 27.440 BOs desse tipo de delito.
Segundo o levantamento da Secretaria da Segurança Pública, de cada dez acusados de roubo no período analisado, sete voltaram a praticar o mesmo tipo de crime. Os autores do levantamento alegam que, como falta um padrão na redação dos BOs e muitos deles contêm erros de preenchimento, o índice de reiteração pode ser mais alto.
A pesquisa da Secretaria da Segurança Pública também mostra que, dos ladrões que voltaram a delinquir, 41% tinham menos de 18 anos quando roubaram pela primeira vez. Entre os ladrões que reiteraram no mesmo tipo de delito, 98% realizaram pelo menos três outros roubos e os 2% restantes repetiram o crime mais quatro ou cinco vezes. Já o intervalo entre a primeira e a última reiteração é mais bem distribuído. Foi de um ano em 22% dos casos, de dois anos em 29%, de três a quatro anos em 32%, de cinco a sete anos em 15% e de oito anos ou mais em cerca de 2% dos casos.
O levantamento mostra ainda que, quanto maior o número de reiterações desses ladrões, menor é a idade com que cometeram o primeiro ilícito. O estudo identificou criminosos que entraram no mundo do crime aos 12 anos. O secretário Fernando Grella Vieira ficou surpreso com os resultados do estudo. "Sabíamos que tinha reiteração, mas não sabíamos o porcentual. Não é possível que uma pessoa apareça com porcentual tão elevado de reiterações sem resposta efetiva", afirmou. "Os dados parecem confirmar um fato evidenciado na literatura de carreiras criminais: um número pequeno de criminosos 'produtivos' é responsável por uma parcela desproporcional de crimes", afirma o ex-diretor do Departamento Nacional de Segurança Pública e ex-chefe da Coordenadoria de Análise e Planejamento da Secretaria da Segurança, Túlio Kahn.
Os resultados do levantamento mostram a baixa produtividade do sistema estadual de segurança pública. Em matéria de esclarecimento de roubos, por exemplo, o índice não chega a 2% ou 3%, diz Grella Vieira, depois de cobrar maior articulação entre o Executivo, o Ministério Público, a Justiça Criminal e o Congresso, onde tramitam vários projetos de reforma da legislação penal e da legislação processual penal. Como o estudo mostrou que é muito alto o número de ladrões que começam a delinquir aos 16 anos, em vez de aumentar o rigor das punições no Código Penal, a Câmara e o Senado deveriam reformar a Lei de Execuções Penais, revendo o regime de progressão da pena, e o Estatuto da Criança e do Adolescente, ampliando o tempo de internação de infratores que estão chegando à maioridade penal. "É preciso investir em medidas aplicáveis ao adolescente, principalmente quando completa 18 anos. Não resolve o problema pegar um adolescente de 16 anos e jogar na prisão", afirma.
De fato, quanto maior é a impunidade, maiores tendem a ser os índices de reiteração e de reincidência, como aponta a pesquisa, realimentando continuamente um cenário de violência e insegurança, em que as normas legais são ineficazes e sua violação, a regra. Fruto da melhoria da qualidade das estatísticas no setor, o levantamento é fundamental para embasar políticas destinadas a mudar esse cenário.
domingo, 26 de janeiro de 2014
Carreiras criminais Juvenis: fatores de risco e de proteção para a entrada dos jovens no mundo do crime
Os criminólogos se dedicam já há algumas décadas a investigação das trajetórias criminais juvenis, procurando entender em que idade e circunstâncias pessoais e contextuais os jovens enveredam para o mundo do crime, como a frequência e modalidade criminal variam com o tempo, bem como os fatores que fazem com que alguns continuem esta carreira até a idade adulta enquanto outros a abandonem. Alguns autores denominam esta linha de pesquisa como criminologia desenvolvimental ou de curso de vida (DLC, na sigla inglesa), que parte do pressuposto de que as mudanças na atividade criminal conforme a faixa etária ocorrem de um modo relativamente ordenado no tempo.(Piquero, Farrington e Blumstein, 2007).
Entre os principais temas desta linha de pesquisa estão a questão dos delinquentes crônicos, da variação da frequência criminal com o avanço da idade, da especialização ou versatilidade criminal, da influência dos colegas, da duração das carreiras criminais, entre outras. Neste percurso analítico, baseado frequentemente em pesquisas longitudinais, alguns achados parecem consolidados e consistentes e são resumidos abaixo, seguindo o elenco proposto por Piquero, Farrington e Blumstein:
• a cada geração, apenas uma pequena parcela dos jovens envereda pelo crime e esta pequena parcela responde por uma quantidade desproporcional de crimes e sentenças juvenis; os delinquentes crônicos tendem a começar cedo no crime e a ter longas carreiras criminais;
• a idade da entrada na criminalidade ocorre tipicamente entre os 8 e 14 anos de idade e a idade da desistência ocorre entre os 20 e 29 anos.
• a prevalência da delinquência tem seu pico no final da adolescência, entre os 15 e 19 anos;
• uma entrada precoce na delinquência prediz uma carreira criminal de longa duração e o cometimento de relativamente mais crimes;
• existe uma continuidade clara na delinquência e no comportamento anti social desde a infância para a adolescência e o mundo adulto. O comportamento é estável no tempo e pessoas que cometem muitos crimes durante uma fase da vida tem uma grande probabilidade de também cometer muitos atos criminais posteriormente;
• a delinquência é mais versátil do que especializada: delinquentes violentos, particularmente, parecem delinquir frequentemente em outras modalidades de delinquência;
• os tipos de atos definidos como delinquência são elementos de uma ampla síndrome de comportamento anti-social que incluem consumo pesado de bebidas, direção perigosa, sexo promiscuo, entre outros; esta personalidade antissocial surge na infância e persiste até a idade adulta (Farrington, 1996)
• a exposição a amigos delinquentes tipicamente precede o início do próprio comportamento delinquente. Independente da ordem cronológica, o comportamento delinquente de um indivíduo está positivamente relacionado com o comportamento delinquente – real ou percebido – dos amigos (Elliot e Menard, 1996);
• com o avanço da idade, a delinquência grupal muda progressivamente para a individual. Até o final da adolescência o crime tende a ser cometido em grupo mas ao redor dos 20 anos a maioria das ofensas são cometidas individualmente; a co-delinquência parece mais comum em alguns tipos de crimes (arrombamentos, roubos) do que em outros;
• os motivos da delinquência até o final da adolescência são variáveis, incluindo excitação e diversão, tédio e ou razões emocionais e utilitárias. A partir dos 20 anos os motivos utilitários transformam-se progressivamente em motivo predominante;
• diferentes tipos de delinquência tendem a ser iniciadas em diferentes idades. Este tipo de progressão é tal que furtos tendem a ser cometidos antes do que arrombamentos, estes antes dos roubos e assim por diante. Em geral, a diversificação da delinquência cresce até cerca de 20 anos e depois diminui, aumentando a especialização;
• nos criminosos crônicos, o patamar de 4 condenações é um bom previsor de reincidência criminal pois a partir de 4 condenações a taxa de reincidência permanece relativamente estável e elevada. Os delinquentes crônicos diferem dos demais delinquentes em diversas dimensões, incluindo precocidade da atividade criminal e violência;
• a probabilidade de desistência na trajetória criminal diminui em função do aumento no número de sintomas antissociais. Em outras palavras, uma grande variedade de comportamentos desruptivos prediz a persistência do comportamento desviantes (Loeber)
Embora estes achados sejam partilhados de forma comum entre diferentes grupos de criminólogos, pesquisas sugerem que talvez não exista um caminho único para o crime mas caminhos distintos, que explicam, por exemplo, porque alguns jovens enveredam para crimes que envolvem agressão física e social e outros enveredam para o caminho dos crimes patrimoniais. (Loeber)
Além destas características levantadas pela linha de pesquisa de trajetórias criminais, outros estudos criminológicos levantaram inúmeros fatores de risco e proteção para o envolvimento no crime. Os fatores de risco são condições ou variáveis que estão associadas à alta probabilidade de ocorrência de resultados negativos ou indesejáveis ao desenvolvimento humano, sendo que dentre tais fatores encontram-se os comportamentos que podem comprometer a saúde, o bem-estar ou o desempenho social do indivíduo (WEBSTER-STRATTON, 1998). São fatores de ordem pessoal, familiar, escolar, de vizinhança, etc. que estão correlacionados com maior ou menor envolvimento criminal. Estão baseados em teorias que entendem o crime como fruto do reduzido auto-controle, cuidados ineficazes dos pais com as crianças durante o processo de crescimento, diferenças de oportunidades, contextos ecológicos de vizinhança (que implicam em diferenças econômicas, sociais e culturais), influência dos pares, tendências anti-sociais gerais subjacentes e teorias fundadas na adaptação genética e biológica, entre outras. (Hawkins, 1996). Farrington afirma que, tomando estas diferentes teorias, existem literalmente milhares de variáveis que diferenciam significativamente os delinquentes dos não delinquentes e que é difícil diferenciar entre os fatores de risco os que são sintomas e os que são causas.
Entre estes fatores podemos mencionar: nível de inteligência, assiduidade escolar, personalidade e temperamento, impulsividade psicomotora, hiperatividade, irritabilidade, renda familiar, tamanho da família, histórico de emprego familiar, histórico de tratamento psiquiátrico, práticas de supervisão e disciplinamento, separações temporárias ou permanentes dos pais, agressividade na escola, baixa concentração, rendimento escolar, faltas e repetências, idade da mãe no nascimento do primeiro filho, problemas comportamentais dos irmãos, registro criminal dos pais e irmãos, desarmonia familiar, baixa estatura, baixo QI não verbal, baixo peso ao nascer, níveis de testosterona, grau de desonestidade, grau de popularidade, trauma crânio encefálico, nível de renda da vizinhança, uso de substâncias pelo indivíduo, uso de substâncias pela mãe durante a gravidez, reduzidas habilidades sociais, entre dezenas de outros fatores investigados.
Em contrapartida, existem também alguns conhecidos fatores de proteção, tais como a presença do pai biológico na infância, QI elevado, mães atenciosas, o abandono de grupos e amigos delinquentes, a obtenção de um emprego estável, o casamento, mudança de contexto, maturidade etária, etc. – que aumentam a probabilidade de desistência da carreira criminal. São fatores que, mesmo em situações adversas, podem afastar o indivíduo do envolvimento criminal. Com efeito, boa parte dos fatores de risco, com sinal inverso, pode atuar como fatores protetivos.
Levantar as informações e responder a estas questões tem como foco a possibilidade de auxiliar a construir novas estratégias para lidar com a questão. Assim, é também objetivo discutir as possíveis formas de prevenção que podem ser postas em prática no contexto estudado, à luz dos achados levantados nesta pesquisa. Entre os poucos trabalhos sistemáticos já realizados sobre a prevenção criminal voltada a jovens no país Assis e Constantino (2005), em artigo voltado a discutir as conexões entre os principais fatores de risco e as estratégias de prevenção primária, secundária e terciária, apontam algumas iniciativas existentes que têm demonstrado impacto significativo na redução das infrações. Pautando-se tanto em estudos realizados no contexto internacional quanto nacional sobre os projetos preventivos, as autoras encontraram que entre os principais aspectos eficazes nas práticas de prevenção de jovens estão: intervenções na gravidez e infância precoce para famílias em situação de risco, treinamento para pais de jovens e adolescentes envolvidos com o crime, intervenções precoces para jovens infratores, programas realizados em escolas que buscam a prevenção primária dos crimes e da violência e programas realizados em comunidades. No Brasil, entretanto, a maioria dos projetos são recentes, realizados em poucas localidades e pouco avaliados para que se possa dizer com clareza o real impacto de suas medidas.
Como sempre na criminologia, o objetivo é não apenas conhecer o fenômeno mas também propor políticas públicas eficientes para atenuá-lo. Os estudos das trajetórias criminais podem ter impacto direto não apenas para a tomada de decisão do sistema de justiça criminal, mas também de diversos outros setores de políticas públicas (de saúde, urbanísticas, de assistência social, de educação) que lidam com a evolução de aspectos cruciais da vida que estão também relacionados a possível deflagração de ocorrências criminais.
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